Capítulo 4: O Veterano Extremamente Encantador
Lu Qingyue piscou os olhos, cada vez mais convencida de que aquele homem era libertino e pouco sério.
No entanto, não conseguia sentir sequer um traço de repulsa por ele.
Afinal, o rosto diante de si era absolutamente moldado segundo os seus padrões de beleza.
O que pode esperar-se de alguém que idolatra rostos bonitos? Ora, a sua ética segue os contornos da face!
Embora seu irmão estivesse sentado ao lado, Lu Yi encontrava-se ocupado conversando com Chen Shujie, sem reparar nos olhares trocados entre os dois à sua esquerda.
A curiosidade de Lu Qingyue permaneceu insatisfeita, e ela sabia que naquela noite não dormiria facilmente. Assim, encheu-se de coragem, encarou aquele olhar escuro e profundo do outro lado da mesa, e perguntou em voz baixa:
— Dizem que na Faculdade de Medicina de Jiang há dois veteranos extremamente atraentes. Você é um deles?
Assim que ela terminou de falar, Cheng Xingye ergueu as sobrancelhas, surpreso.
Não esperava tamanha franqueza.
Normalmente, diante de um elogio tão direto, as pessoas tendem a demonstrar certa modéstia.
Mas ele apenas cruzou os braços e recostou-se, levantando o queixo com indolência, aceitando o título sem cerimônia.
Tal atitude só aguçou ainda mais a curiosidade de Lu Qingyue, que prontamente indagou:
— E quem é o outro?
Cheng Xingye arqueou levemente as sobrancelhas.
Sentado ali, ela ainda se preocupava com o outro? Não era como desejar o que há no prato enquanto se olha para o que há no mar?
Antes que ele pudesse responder, ouviu Lu Yi ao lado tossir discretamente.
Toda a curiosidade de Lu Qingyue estava focada no homem à sua frente, ignorando completamente o sinal emitido por Lu Yi.
Ela piscou os grandes olhos redondos e perguntou com genuína preocupação:
— Ele é mais bonito que você?
Era difícil acreditar que, com tal beleza diante dela, a Universidade de Jiang pudesse ter dois rapazes assim ao mesmo tempo.
Teriam salvado o universo na vida anterior?
Cheng Xingye, contudo, silenciou diante da pergunta.
Como responder a isso?
Homens guardam certo orgulho; não é apenas uma questão de boa autoestima. Quando as condições físicas são equivalentes, ninguém admite que o outro seja mais bonito.
Cheng Xingye tocou o nariz, ponderando como responder sem dar a entender que perdia para o outro.
Lu Yi tossiu novamente, “Cof, cof.”
Lu Qingyue mantinha-se concentrada em Cheng Xingye, apoiando o queixo na mão, o olhar ardente e expectante, sem perceber que Lu Yi já estava tossindo quase a ponto de contrair tuberculose.
Vendo que a irmã não captava seu sinal, Lu Yi ergueu a mão e bagunçou-lhe os cabelos com força.
Lu Qingyue, irritada, virou-se para ele com os fios em desalinho:
— Irmão, o que foi?
Lu Yi apertou a linha do maxilar, lançando-lhe um olhar entre o riso e a reprovação, carregado de significado.
Lu Qingyue, sem compreender, piscou:
— Está resfriado?
Lu Yi: “...”
Lu Qingyue percebeu a sua frustração, mas ainda não captava o real sentido. Até que, pelo canto do olho, notou o olhar de Cheng Xingye, lançando-lhe um sinal discreto — e seus olhos se arregalaram de surpresa:
— O outro é você?!
Lu Yi finalmente emitiu um grunhido, não confirmando nem negando, recostando-se com lentidão e arrogância, levantando o queixo como se admitisse.
Lu Qingyue sorveu o ar, incrédula:
— Os padrões para eleger o rapaz mais bonito do curso não são um pouco amplos demais?
Lu Yi: “...”
O frio chegou; talvez seja hora de enterrar uma irmã indesejada...
Desta vez, Lu Qingyue mostrou-se perspicaz. Ao notar o perigo no olhar do irmão, recordando o treino da tarde, apressou-se a pedir desculpas antes que ele decidisse enterrá-la:
— ...Desculpa, irmão.
— Talvez seja porque te conheço há muito tempo. Já estou cansada da sua beleza.
Lu Yi, com o rosto fechado, já não tinha paciência para continuar a conversa. Pegou a bandeja e levantou-se friamente, saindo do refeitório.
Chen Shujie não esperava que uma simples refeição entre irmãos pudesse terminar assim; ficou boquiaberto ao ver Lu Yi se afastar, e depois virou-se para Lu Qingyue:
— Irmãzinha, seu irmão parece estar zangado.
Lu Qingyue sabia perfeitamente que ele estava aborrecido. Suspirou com tranquilidade:
— Será que precisava tanto?
Só porque não percebeu que ele era o outro veterano bonito?
Desde pequena convivendo com ele, já estava imune a sua beleza.
Lu Qingyue terminou a sopa, limpou a boca e, subitamente, ergueu o olhar para Cheng Xingye, dizendo com sinceridade:
— Eu realmente acho que ele não é tão bonito quanto você.
Cheng Xingye, sentado diante dela, ainda mais alto, abaixou os olhos ao ouvi-la e, de repente, sentiu vontade de rir.
Aquela menina era de uma franqueza cativante.
A luz branca e suave do teto caía sobre eles, suavizando as feições jovens do rapaz.
Porém, ao falar, sua voz manteve-se tão indolente e arrogante quanto sempre:
— Também penso assim.
Chen Shujie: “???”
----------------------
Lu Qingyue imaginava que, tendo ofendido o instrutor, não teria uma tarde fácil.
Mas, para sua surpresa, Lu Yi comportou-se como um estranho, exigindo dela o mesmo que exigia dos demais. Não lhe deu nenhum privilégio, mas tampouco a tratou com rigor especial.
Assim, passaram a tarde em tranquila convivência.
Durante uma pausa, Zhou Tingting e Hu Qiuyue vieram se sentar junto dela, admirando o homem agachado à frente do pelotão, com olhares de êxtase e inveja:
— Xiaoyueyue, o instrutor Lu é mesmo seu irmão? Ele é lindo demais!
Lu Qingyue mexeu-se, procurando esconder-se melhor sob a sombra das árvores:
— Isso é lindo? Acho bem comum. E vocês podem parar de me chamar de Xiaoyueyue? Toda vez que o fazem, sinto que preciso apresentar um número de comédia para vocês.
Zhou Tingting riu alto e cutucou sua bochecha. A sensação macia era irresistível até para as meninas.
Aproveitando que Lu Yi estava distraído no celular, Zhou Tingting olhou novamente para ele, cada vez mais convencida de que o instrutor era de uma beleza extraordinária.
— Você chama isso de comum? Então apresenta alguém realmente bonito para nós!
Alguém realmente bonito... E, de fato, ela conhecia.
Lu Qingyue lembrou-se do rapaz de pernas longas que se sentara diante dela ao meio-dia. Traços claros e elegantes, voz lânguida, sempre carregada de insinuação, contida e ao mesmo tempo sedutora.
Mas ela só sabia que era o instrutor-chefe, não conhecia seu nome.
Olhou ao redor, mas não o viu. Retornou o olhar e respondeu com indiferença:
— Eu conheço alguém muito mais bonito que meu irmão.
Lembrou-se do apelido dado por Lu Yi e acrescentou:
— Mas a reputação dele não é das melhores. Meu irmão diz que ele é um “rei do mar”.
O “rei do mar” é aquele que sabe manter relações ambíguas com o sexo oposto.
Lu Qingyue não se surpreendia; com aquela aparência, mesmo sem iniciativa, as garotas certamente se lançariam aos seus pés.
Mas Zhou Tingting e Hu Qiuyue, ao ouvirem isso, perderam todo o entusiasmo, com expressões de desapontamento:
— Ah... Rei do mar, melhor não.
Lu Qingyue não entendeu:
— O que há de errado com o rei do mar? Um cafajeste pode mudar, um rei do mar pode se tornar alguém decente.
Zhou Tingting respondeu com desdém:
— Você leu romances demais; só por isso acha que é única para ele.
Lu Qingyue nunca pensou em ser única para ele.
Mas namorar alguém assim, não seria emocionante?
......
O treinamento militar na escola secundária de Jiang durava uma semana — nem longa, nem curta.
Nestes dias, Lu Qingyue às vezes via Cheng Xingye no campo de treino.
Onde quer que fosse, era o centro das atenções, radiante.
Contudo, ele parecia não lhe dar mais atenção; ao passar pelo pelotão de sua turma, mantinha o olhar fixo, totalmente diferente de quando, da última vez, brincou dizendo que a ajudaria a afastar as moscas.
Ao fim de uma semana, as jovens flores da pátria, antes viçosas, estavam murchas como berinjelas ao toque da geada.
Finalmente chegou o último dia de treinamento.
O último dia era reservado para a apresentação final. Exceto os pelotões que fariam apresentações, as demais turmas não tinham mais tarefas.
Lu Yi foi chamado para ensinar a turma vizinha a executar o “punho de combate”, e passou toda a manhã ausente.
Sem o instrutor por perto, a pequena rebelde sentiu-se tentada.
— Vamos comer bolinhas de peixe? — Lu Qingyue se aproximou discretamente, cutucando o braço de Zhou Tingting.
Zhou Tingting, entediada, arrancando gramíneas, sentiu-se animada com a proposta.
As duas se curvaram e, sorrateiras, escaparam do pelotão.
Os grupos que se apresentariam à tarde estavam reunidos perto do portão do campo, o que tornava aquela rota muito visível.
Felizmente, o muro ao lado do campo não era alto. Desde o ensino fundamental, ambas estavam habituadas a escalá-lo, e com agilidade subiram.
Por entre as frestas da sombra das árvores, a luz era tênue.
Lu Qingyue espiou sobre o muro, avaliando a altura do lado de fora.
O campo fora construído em um declive; visto de dentro, parecia alto, mas por fora era meio metro mais alto ainda.
Lu Qingyue tinha dezesseis anos, e sua estatura permanecia nos 163 cm medidos no último ano do ensino fundamental. Mas naquele momento, tudo o que desejava eram as bolinhas de peixe quentes e aromáticas da loja de conveniência, ignorando completamente o obstáculo da altura. Cerrou os olhos e saltou para baixo sem hesitar—
O sol brilhava, as flores sorriam.
A imaginação era bela, a realidade dura.
Ao invés de um salto elegante, ela caiu de joelhos diante de um robusto tronco de árvore, sentindo uma dor aguda nas costas, como uma pequena codorna autista a rezar devotamente à árvore.
Lu Qingyue já se sentia suficientemente envergonhada por cair desajeitada diante da amiga.
Mas esqueceu-se de que nunca se deve subestimar o limite da má sorte.
Porque, no instante seguinte, ouviu acima de si uma voz familiar, misturada a um riso malicioso e uma entonação indolente e insinuante:
— Lu Diandian?