Capítulo 4: Uma Emoção Despertada Após o Primeiro Estrondo dos Trovões da Primavera

Cahaya Bintang yang Tak Terkendali Si Jiao 2830字 2026-03-17 03:03:09

O som da água no banheiro era um sussurro constante e delicado. O vidro embaçado, envolto em névoa, distorcia a silhueta longilínea do homem; a corrente líquida escorria pelas linhas do corpo, delineando músculos definidos, abdômen vincado, exalando uma sensualidade bruta e indomada.

O ruído cessou.

Zhou Yiliu saiu do banho, envergando um roupão frouxo, uma toalha branca repousando displicente sobre a cabeça. O celular, largado à cabeceira, soou um “ding-dong”.

“‘S’ transferiu-lhe 10.000 yuan.”

Zhou Yiliu enxugava os cabelos molhados com uma das mãos; arqueou levemente as sobrancelhas e, sem pressa, digitou uma linha na janela de conversa:

“Você está comprando café ou uma pessoa?”

Porém, não enviou. Franziu o cenho, analisou por dois segundos e decidiu não dar tal satisfação a Shen Jixing.

O olhar daquele homem, ultimamente, carregava intenções nada claras.

Apagou a mensagem e enviou apenas um ponto de interrogação.

【Z】: ?

【S】: Aluguel. Precisarei ficar em sua casa por um tempo, sem data definida. Se não bastar, depois lhe reembolso.

【Z】: ?

Shen Jixing franziu a testa.

Será que esse homem só sabia digitar pontos de interrogação?

【Z】: Entendi.

Zhou Yiliu assumiu uma postura de quem tudo decifrara, digitando com desdém, o celular em uma das mãos, um sorriso frio nos lábios.

【Z】: Então é tão difícil assim achar um imóvel por aí, e só resta a você se encostar diariamente em minha casa.

【Z】: Entendi, fique à vontade.

“Transferência de 10.000 yuan devolvida.”

Havia ali um tom de: “Eu sei exatamente o que você pensa, mas hoje estou de bom humor e não vou desmascará-lo; além disso, essa quantia é insignificante demais para mim...”

Shen Jixing olhou para a conversa, sentindo-se entre o absurdo e a graça.

Nunca foi homem de se explicar.

【S】: Pense o que quiser.

Largou o celular ao acaso, começou a desabotoar a camisa. Os dedos roçaram o colar de prata, cujo pingente era uma estrela de seis pontas, de um prateado escuro.

Pensamento foi puxado por algum fio invisível; ao recobrar-se, pressionou levemente o estômago.

O celular voltou a soar.

【Z】: Eu até queria lhe poupar algum constrangimento. Por que não olha de novo seu apelido no WeChat?

Shen Jixing: “?”

Ambos tinham apelidos simples: um “S”, o outro “Z”.

Em tempos assim, usar letras como apelido não era incomum. Shen Jixing não via problema algum.

【Z】: O seu WeChat antes não era um ponto? Fez de propósito?

Na verdade, não era paranoia de Zhou Yiliu. Estavam há quase quatro anos sem contato, e ainda por cima, romperam de maneira amarga.

Shen Jixing, sem opções, o procurou – e ainda dizia coisas ambíguas:

“Não tenho para onde ir.”

“Você pode me abrigar?”

“Pode trazer um café para mim?”

“Posso ficar em sua casa o tempo que quiser?”

Era, francamente, uma ambiguidade irritante.

O apelido no WeChat era apenas uma prova ínfima.

Shen Jixing silenciou por um instante, mas percebeu que permitir tal insolência seria demais.

【S】: Igual? Olhe com atenção.

【Z】: ?

Zhou Yiliu, pernas longas dobradas, recostava-se à cabeceira, convencido de que eram apenas letras em inglês.

No instante seguinte, chegou a resposta.

【S】: Sou maior que você.

“…”

“……”

No silêncio profundo do apartamento, ecoou uma imprecação furiosa do jovem senhor Zhou, vencido:

“Droga.”

Seria melhor que você, desgraçado, saísse do meu quarto agora.

Zhou Yiliu fitou a tela com frieza, mas acabou engolindo o insulto.

Criança demais.

Deslizou os dedos longos e frios pelo visor, mudou seu apelido para uma série de “ZZZZZZZ”, e só então, satisfeito, largou o celular sobre o travesseiro.

Talvez fosse o tédio de uma vida estagnada. Embrenhado nas brumas dos pensamentos, recordou a primeira vez em que vira Shen Jixing.

“Que espécie de preceptor?”

O jovem de cabelos negros usava o uniforme azul e branco número 24, uma faixa azul prendendo-lhe a franja, o corpo emanando a rebeldia efervescente da juventude; quicava a bola de basquete e soltava um sorriso de escárnio.

“Dispenso, mande voltar de onde veio.”

“Delinquente!”

O homem de meia-idade bateu a mesa com força, o semblante grave: “Com esses resultados, 666, ainda tem coragem de recusar ajuda?”

O mordomo tentou apaziguar: “666 não é tão ruim...”

O homem riu, gélido: “São 6 pontos em Língua, 6 em Matemática, 6 em Inglês.”

O velho mordomo murmurou: “Ah, isso...”

De fato, não era nota que qualquer um tirasse.

Para ser exato, o jovem mestre estava apenas brincando com o destino, entregue a uma rebeldia sem remorsos.

O rapaz de cabelos negros, sob a luz, segurava a bola com desdém, sem um pingo de arrependimento.

O ar de insolência só inflamou ainda mais a ira de Zhou Hengyang: “Com essa atitude, acha que vai sequer passar no vestibular?”

O ambiente ficou suspenso, como se o tempo hesitasse.

O velho mordomo arregalou os olhos, calado.

Zhou Hengyang franziu o cenho, talvez sentindo pesar pelas palavras duras.

De súbito, o baque seco de uma bola quicando no chão ecoou. Ela rolou, saltitante, para longe.

Todos se assustaram.

Zhou Hengyang fulminou-o com o olhar: “Está louco? Quase me matou de susto!”

O olhar do jovem era de sangue, feroz como um leãozinho acuado.

“Tente mencionar minha mãe mais uma vez.”

Zhou Hengyang: “O que disse?”

“Não quero mais ouvir esse nome em sua boca. Mande seu prodígio do mundo de volta ao buraco de onde veio.”

Zhou Yiliu, rosto fechado, caminhou para fora: “Nunca aprenderei pian...”

Estacou, quase esbarrando em alguém.

Uma fragrância fria e delicada envolveu-lhe o olfato, sândalo branco com um fundo adocicado, quase imperceptível.

À sua frente, um jovem vestia camisa branca e calças negras; os traços nítidos como tinta sobre papel de arroz, o olhar deslizando por sobre seu ombro.

“Estão discutindo?”

O sopro leve daquela presença bagunçou-lhe os fios na nuca.

Zhou Yiliu ficou rígido.

O outro, cortês, afastou-se do espaço exíguo, voz suave e distante: “Continuem, volto depois.”

Uma cortesia impecável.

Zhou Yiliu o fitou; à luz dourada do entardecer, aquele homem era limpo e translúcido como jade.

Os cílios longos e retos, de um frio delicado.

De repente, o olhar se ergueu, encontrando o seu; no choque dos olhares, era como a chuva miúda que segue um trovão de primavera, fazendo-lhe o coração saltar sem razão.

Zhou Yiliu desviou primeiro, olhando para baixo ao cruzar por ele.

“Você é o estudante da Royal Academy of Music de Viena?”

A voz de Zhou Hengyang soou atrás.

A resistência do filho era irrelevante; Zhou Hengyang só acreditava em si.

“Sim.”

A voz, clara e aveludada: “Shen Jixing, vinte anos.”

Zhou Yiliu não parou, atravessando o jardim exuberante do verão.

Vinte anos?

No rosto rebelde do jovem, um traço de escárnio surgiu.

“Heh, de onde saiu esse impostor?”

——

Na boca, Zhou Yiliu: Heh, de onde saiu esse impostor?

No coração: Droga, encontrei um anjo caído :-D