Capítulo 4: Nobreza

Raja Agung Totem Fu Xiaoyao 2812字 2026-03-17 03:13:35

— Quando estiver a praticar o desenho, é imprescindível manter o ambiente em silêncio absoluto, livre de quaisquer distrações, devendo entregar-se de corpo e alma à tarefa — disse Bruce, com um ar pensativo, como se recordasse o próprio passado e, com um suspiro repleto de emoções, continuou: — Quando iniciei meu aprendizado, morei com o mestre num vale isolado, treinando ininterruptamente por mais de quinze dias. Todos os dias eu repetia os exercícios dezenas, centenas de vezes, até que meus pulsos inchassem...

Charles sentiu um fluxo estranho de informações brotar em sua mente, acompanhado de uma onda de calor percorrendo as mãos e os braços, tornando-as, de súbito, muito mais ágeis e destrezas do que jamais haviam sido.

Virando-se, abriu a boca, com uma expressão peculiar no rosto, e perguntou:

— Senhor Bruce, sabe dizer qual é o tempo mais curto já registrado para alguém alcançar o nível de iniciante?

— Houve certa vez um guerreiro nato, dotado de um domínio corporal extraordinário, que precisou de apenas três dias para ingressar nos fundamentos. Contudo, talento sem substância é sempre uma limitação fatal; ele jamais conseguiu despertar o espírito, tampouco tornou-se um verdadeiro mestre das almas! Não se precipite, pois tudo isto constitui a base para futuras ascensões...

A voz do outro carregava uma pontada de inveja, e a expressão de Charles se tornou ainda mais estranha. Baixou a cabeça, dizendo timidamente:

— Professor Bruce, acabei de recordar que, por ordens de meu pai, estarei em reclusão no solar nos próximos dias, e terei de estudar ali; provavelmente ficarei de dez a quinze dias sem poder sair. Poderia deixar-me algum caderno de anotações ou algo do gênero, para que eu possa aprender mais?

— Professor?

Ao ouvir tal vocativo, Bruce estacou por um instante, e seu semblante suavizou-se. Tirou, de uma das gavetas, um pequeno caderno de anotações encapado em couro marrom e lhe estendeu:

— Fique com isto. São notas que tomei quando praticava cartografia; certamente serão de grande auxílio para você neste momento.

Charles apressou-se em receber o caderno, costurado à mão com linha grossa, guardando-o cuidadosamente no bolso interno do casaco.

Após uma breve reverência, deixou o subterrâneo sem jamais mencionar as misteriosas alterações que experimentara instantes antes.

Assim que ele partiu, Bruce permaneceu imóvel, olhando longamente para a porta por onde Charles desaparecera...

No interior da carruagem, Charles flexionou os pulsos e logo percebeu que suas mãos, surpreendentemente ágeis, podiam executar movimentos que antes lhe pareceriam impossíveis.

— Bailing! — murmurou em pensamento, fazendo surgir diante de si a interface que já lhe era familiar. Este nome, “Bailing”, fora atribuído por ele ao seu mais poderoso totem do jogo, a Besta Tigre Branco, e agora servia também como denominação para o misterioso modulador de totens que parecia tê-lo possuído.

Para seu espanto, notou que a interface exibia uma novidade: havia um novo atributo listado.

“Espírito 1,8; Força 0,6; Constituição 0,5; Agilidade 0,7; Pontos de Evolução 1000%.”

Pontos de evolução?

Massageou as têmporas, tentando recordar de onde conhecia tal expressão — sim, estava relacionada ao modulador. Essa funcionalidade permitia dispensar gemas, pérolas e outros materiais raros de evolução, bastando um toque para que o totem evoluísse instantaneamente.

Provavelmente, atingir o nível iniciante em desenho de totens só foi possível devido ao consumo desses pontos!

Ao concentrar a atenção sobre o campo de habilidades, “Desenho de Totens — Nível”, uma nova informação surgiu em sua mente:

“Condições de Evolução: Constituição 0,6; Agilidade 0,9.”

Então, até mesmo os pré-requisitos para o aprimoramento eram revelados! Charles não pôde deixar de se sentir constrangido diante de tal trapaça — aquele modulador era, de fato, um autêntico artefato proibido.

Bum!

Nesse exato momento, a carruagem parou abruptamente. Surpreendido, Charles foi lançado contra a lateral do veículo; felizmente, uma camada espessa de veludo amortecera o impacto, caso contrário teria ficado com um galo enorme.

— Senhor, está bem? — O cocheiro, Hans, ouvindo o baque, abriu a cortina da carruagem, alarmado.

Ao vê-lo caído, o rosto do homem revelou pânico e confusão, e ele se apressou a balbuciar:

— Senhor, perdoe-me, não foi por querer! Um menino, um pequeno maltrapilho, surgiu de repente...

— Atropelamos alguém?!

O coração de Charles gelou. Imediatamente projetou-se para fora do veículo, olhando por sobre o dorso do cavalo castanho-avermelhado e avistando, estirados no chão à frente, dois pequenos.

— Não se preocupe comigo! E eles? Estão bem? Vá verificar imediatamente!

— Senhor, são apenas plebeus. O fato de tê-lo ferido já é, em si, crime gravíssimo, que exige punição severa! Irei chamar a equipe de justiça da família para que aprendam quem é o verdadeiro senhor de Shanjin! — Hans replicou com uma naturalidade fria, tingida de desprezo ao mencionar os dois.

Charles permaneceu um instante atônito, só então se dando conta de que não mais vivia numa sociedade igualitária, mas sim como um nobre, único herdeiro do senhor de Shanjin.

Naquela terra, nada necessitava temer. Qualquer plebeu deveria curvar-se diante dele; se fossem atropelados pela sua carruagem, não apenas não receberiam compensação, como poderiam ser severamente castigados.

Assim são os nobres!

Não é de se admirar que, nos tempos antigos, tantos filhos de aristocratas se tornassem arrogantes e dissolutos — o poder absoluto inevitavelmente corrompe a conduta... Tais pensamentos cruzaram-lhe o espírito, mas a índole herdada de sua terra natal o impedia de compactuar com tamanha injustiça.

Saltou da carruagem e, endireitando-se, avançou decidido na direção das duas crianças, finalmente podendo distingui-las.

Eram, claramente, irmãos: a irmã, de não mais de quatorze ou quinze anos, ostentava o rosto salpicado de espinhas rubras e cabelos curtos de tom castanho-avermelhado; o irmão, um garotinho de menos de dez anos, tinha as faces coradas e sulcadas por lágrimas, aninhando-se, assustado, no colo da irmã.

Ao perceberem sua aproximação, a menina largou o irmão, ajoelhou-se apressada, encostou a testa no chão e suplicou entre soluços:

— Senhor, meu irmão não fez por querer! Por favor, perdoe-o! Se houver de punir alguém, que seja a mim!

Tum, tum, tum!

O som da testa da menina batendo no solo ecoou no peito de Charles, trazendo-lhe um desconforto profundo. Por toda a vida invejara o luxo dos nobres antigos, mas, quando finalmente se viu na pele de um deles, sentiu apenas repulsa.

Estendeu a mão para erguê-la, mas o terror nos olhos dos pequenos — como se fitassem uma criatura devoradora de homens — fez-lhe hesitar.

— Ora, Charles, por acaso te interessaste por essa garota? — ressoou uma voz leviana às suas costas. — Que gosto peculiar, hein!

— Podem ir embora.

A diferença de status entre nobres e plebeus se impôs de maneira brutal diante de Charles, obrigando-o a reprimir qualquer compaixão — pois demonstrá-la seria, para eles, uma sentença.

Assim, apenas observou, em silêncio, enquanto os irmãos se erguiam atabalhoadamente e fugiam como se da morte.

Só então se voltou para repreender, meio a rir:

— Tu é que te interessas por crianças, seu idiota!

O recém-chegado era seu amigo de infância, alguém com quem só um nobre poderia brincar tão à vontade; era membro da Família Stone, vizinha dos senhores de Shanjin.

— Charles, haverá uma pequena recepção esta noite no Solar Maclen, para a qual foram convidados os nobres próximos de Shanjin. Vim avisar-te, pois iremos juntos, nós de sempre — disse o outro, abaixando a voz.

— Ah, Field, desta vez não irei — respondeu Charles, balançando a cabeça.

— Como? Teu pai não queria que cultivessem relações com eles? Por que desperdiçar tão boa oportunidade? — O magro e alto Field olhava-o, surpreso.

— Meu pai deseja que eu ingresse na Academia Real do Império. Preciso esforçar-me muito nestes dias, pois se fracassar já na seleção, serei a vergonha da família. — Charles, imitando o que recordava de suas memórias, encolheu os ombros, adotando uma expressão de desalento.

— Academia Real... que inveja! Se conseguires entrar, teu futuro será infinitamente superior ao de nós, que só sabemos desperdiçar a vida. — Field falou com genuína admiração, deixando transparecer um brilho de desejo nos olhos.

— Teu pai certamente pagou alto para abrir-te o caminho. É bom que te dediques mesmo. Dizem que o exame da Academia é absurdamente difícil; muita gente sequer passa!

— Pois é...

Charles suspirou, a expressão marcada pelo desalento. O amigo ainda conversou um pouco antes de partir em sua carruagem.

Ele também retornou ao seu veículo, tateando o volume do caderno sob a roupa, os olhos brilhando de excitação.

Primeiro, precisava confirmar sua hipótese. Se tudo fosse como suspeitava...